14h00 23 nov 19
Independente, feminista, colorida, atrevida, Agatha Ruiz de la Prada foi o rosto de Espanha nas passerelles do mundo. Foi a irreverente que se opôs ao preto e pôs em jogo um imaginário baseado na infância. Filha de um arquiteto madrileno e de uma aristocrata catalã, a “rainha da cor” cresceu entre as duas maiores cidades de Espanha e acredita apenas na união do país. Amedrontada pela crise que, diz, vai atingir ainda com maior gravidade a Espanha, olha para Portugal como um possível refúgio. Recebeu-nos em sua casa, na Castellana, em Madrid, e partilhou connosco 40 anos de carreira. Em cima da mesa esteve toda uma vida, mas também o momento atual. Falámos de arte, de cultura, de moda, de amor... e não deixámos para trás as prioridades do planeta. Antes tínhamos conversado na loja da Bordallo Pinheiro, para a qual acabou de assinar mais uma sardinha para a célebre coleção da marca. Começámos por querer saber como correu essa sua última aventura em Portugal.
Como é que foi contactada pela Bordallo Pinheiro para desenhar uma sardinha em porcelana?
Há muitos anos que sou fã da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro. No ano passado estive em casa da minha amiga Joana Vasconcelos, e a casa estava cheia de peças da Bordallo. Tinha muitas, mais de 40 peças grandes. No estúdio, a Joana também faz muitas coisas com a Bordallo Pinheiro, forrando as peças a croché. A verdade é que fiquei encantada. Lembro-me de antigamente, nas festas solidárias de Madrid, haver o stand das portuguesas com essa loiça. Comprei algumas, e as minhas amigas também me ofereceram outras. E darem-me um presente é das coisas mais difíceis que há, um presente de que eu goste e que use. Dos poucos presentes de que gosto são peças da Bordallo Pinheiro. E assim, pouco a pouco, não sei como, fui-me aproximando da marca. Tenho a sorte de ter uma portuguesa a trabalhar comigo como assistente. A Catarina esteve numa festa e encontrou-os. Tinha muita vontade de fazer uma sardinha, já conheço a linha também há muito tempo. De resto, trabalhei com a Bidasoa [antiga fábrica espanhola de porcelanas]. Fiz as baixelas dos palácios de Espanha, das embaixadas, e fiz um serviço de jantar que toda a gente tem, até a rainha o comprou. Trabalhei muito lá. Lembro-me de ir para a fábrica em janeiro com a minha filha Cósima, que tinha nascido em dezembro! Quando fecharam a fábrica tive um grande desgosto e fui falar com a Vista Alegre. Conheci os antigos donos, que me convidaram para almoçar e tudo. Só que, nessa altura, o chefe de produto trabalhava muito lentamente, e acabei por não fazer nada com eles. Guardei uma admiração enorme pela Vista Alegre. E agora pela Bordallo Pinheiro. E depois de me encomendarem a sardinha ainda mais. Estou muito contente.
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